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Se você gosta do bom e velho rock and roll e é daqueles que fica entediado só de ouvir as baboseiras que estão espalhadas pela cultura pop, este é o seu lugar. Se você está querendo conhecer o rock dos anos 60, 70 e 80, este também é o seu lugar. Curta!

Algumas observações importantes:


- Não haverão postagens o tempo todo, serão feitas na medida do possível.

- Comentários ofensivos e maldosos serão deletados

- O blog é contra a pirataria, todos os links são tirados da internet. Gostou do álbum? Se possível , compre!

- Atenção: o blog é sobre classic rock!

- Aproveite para deixar seu comentário. Caso tenha alguma sugestão de álbum ou artista, faça pelo e-mail soroqa@gmail.com.

sábado, 25 de dezembro de 2010

TANTRA - MISTÉRIOS E MARAVILHAS (1977)

O post (natalino) de hoje é sobre um dos discos mais conceituados do rock progressivo português e, quiça, mundial: “Mistérios e Maravilhas”, da banda portuguesa Tantra.

Lançado em Novembro de 1977, pelo selo Valentim de Camargo/EMI, numa época em que o movimento punk (e a mídia, diga-se de passagem) destruía o rock em geral, principalmente o progressivo, o álbum contém fortes influências de bandas como Gênesis, Yes e Pink Floyd. É quase todo instrumental, somente duas faixas possuem letras: “À beira do fim” e “Partir Sempre”, coincidentemente a primeira e a última faixa, respectivamente. Mas nem por isso, deixa de ser um excelente álbum, apesar de todo o clichê que um álbum progressivo pode ter: faixas longas, com belas harmonias instrumentais e (embora poucas) vocais, farto uso de sintetizadores, etc. Todas as seis faixas são excelentes, tendo destaque para as faixas “À beira do fim” com um belo trabalho vocal, a faixa-título “Mistérios e Maravilhas” com uma empolgante linha de sintetizador e “Máquina da Felicidade”.

“Mistérios e Maravilhas” foi lançado num momento em que o progressivo estava em decadência, como já fora citado. Mas surpreendeu pelo seu sucesso. Sucesso este que pode ser creditado ao próprio estágio em que o Rock se encontrava em Portugal. Antes da Revolução de Abril de 1974 (Mais conhecida como “Revolução dos Cravos”), o rock em Portugal, com poucas exceções, era baseado nos covers de bandas estrangeiras, como Beatles e Beach Boys, com apresentações em clubes ou pequenos teatros. De acordo com Aristides Duarte, em seu livro “Memórias do Rock Português”, o regime salazarista apenas tolerava o rock, mas que dava o ar da graça através da sua censura, como foi no caso do álbum de estréia do Quarteto 1111 e nas permissões para a apresentação de grupos estrangeiros. Ainda segundo Duarte, muitos grupos eram desfeitos por causa da guerra colonial e, mais tarde, por causa do engajamento na luta pelo fim do salazarismo. Somente após 1975 que começa a existir um rock, de fato, português. E o progressivo em Portugal, curiosamente, teve como um dos seus impulsos as apresentações do Genesis em terras portuguesas, no ano de 1975. Também teve início ao surgimento de várias bandas que seguiam essa vertente. E uma delas foi o Tantra, que surgiu em 1976 com o lançamento do compacto “Alquimia da Luz/Novos Tempos”. Quando do lançamento de “Mistérios e Maravilhas”, a formação do Tantra era Américo Luís (Guitarra e baixo), Manuel Cardoso (Frodo e guitarra), Armanda Gama (Órgão, teclados e sintetizadores) e Tozé Almeida (Bateria). Pelo fato de o som do rock progressivo ser uma novidade em Portugal, o disco (bem como todo o gênero em si) teve uma boa receptividade no momento em que foi lançado, contrastando com o momento em que o prog rock passava em nível mundial. Em uma entrevista para o site “A Nossa Música”, de 2003, Manuel Cardoso fala sobre esse sucesso obtido com o álbum:

“(...) a música de intervenção dominou a cena e viveram-se tempos muito estranhos. Durante o primeiro ano, quando as pessoas iam ver pela primeira vez, ficavam de olhos esbugalhados a olhar para nós e as reacções iam surgindo a medo. Era engraçado vê-los pregados ao chão, admirados. Mas no final, quando já estavam mais relaxados batiam palmas, entusiasmados. Claro que isto só aconteceu durante os primeiros tempos porque quando deixamos de ser novidade, as pessoas já vinham aos concertos à procura de diversão e prazer. Foram anos muito bons em que chegávamos a tocar para cerca de três mil pessoas na província, o que não era muito normal na altura. As pessoas ficaram orgulhosas por ter uma banda portuguesa com aquele tipo ou sonoridade, diferente e com nível. Na altura dava-se muito valor à qualidade, coisa que hoje em dia, com a pressão dos meios comerciais, se torna menos importante.”

(Trecho extraído da entrevista de Manuel Cardoso a Joana Brandão em 2003, publicada no site "A Nossa Música")

O álbum ganhou reconhecimento em todo o país e, posteriormente, em nível mundial, diga-se de passagem, sendo considerado um dos cem maiores da música portuguesa. O Tantra lançou mais dois discos (“Holocausto”, de 1978 e “Humanoid Flesh”, de 1981) até encerrar atividades em 1981. Mas o grupo foi reformado em 2003, tendo Manuel Cardoso como único membro original ainda remanescente na banda.

Este álbum, sem dúvida, mostra que Portugal tinha (e ainda tem) um rock de primeira linha e que o país não vive só de fado e do conhecido “vira-vira”.

Curtam!

E aos freqüentadores do blog, um natal cheio de luz, felicidades, muito rock in roll e que não se esqueçam de lembrar do verdadeiro sentido do natal: o nascimento daquele que há 2010 anos nos abençoa sempre.

TANTRA - 1977 - MISTÉRIOS E MARAVILHAS



FAIXAS:


01 - À Beira do Fim

02 - Aventuras de um Dragão num Aquário

03 - Mistérios e Maravilhas

04 - Máquina da Felicidade

05 - Variações Sobre uma Galáxia

06 - Partir Sempre


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

AGNES STRANGE

O post de hoje é sobre uma banda que, apesar de muito pouco conhecida, tem um som bastante interessante: Agnes Strange.


Originária de Southampton, o Agnes Strange foi uma banda inglesa de blues-rock que teve uma existência bem curta, surgindo em 1972 e encerrando atividades em 1976. Formada por John Westwood (Guitarra e vocais), Alan Green (baixo e vocais) e Dave Rodwell (bateria e vocais), lançaram ainda em 1972 o álbum Theme For A Dream, gravado praticamente “ao vivo” no estúdio, que se tornaria praticamente o único disco “original” da banda. Caracteriza-se pelo excelente trabalho com base nos riffs enérgicos da guitarra de Westwood, o som da bateria bem ágil e um baixo que não compromete. Notoriamente o som do Agnes se encaixaria entre qualquer coisa entre o ácid-rock do final dos anos 1960 e o hard-rock do início dos anos 1970. Isto é, às vezes lembra The Doors, outras vezes faz nos associar ao Taste (antiga banda do saudoso Rory Gallagher), em algumas lembra, pasmem, ao Led Zeppelin e ao Status Quo, só para citar alguns exemplos.

Depois deste disco, porém, a banda não lançou algo que pudesse ser chamado de “original”, por isso o fato de “Theme For a Dream” ser considerado ao mesmo tempo o “debut” e o único disco do Agnes Strange. Contudo, as sessões de gravação do citado álbum renderam muitas sobras de estúdio, o que resultou em mais dois discos compilatórios: "Dust in the Sunlight", de 1974 (Que é praticamente a mesma coisa que “Theme For a Dream”) e "Strange Flavour", de 1975. Este último, inclusive, tem bons temas como a própria faixa-título, “Give Yourself a Change” (ou seria “Give Yourself a Chance”, como sugere a última faixa bônus do álbum?), “Highway Blues” e “Granny Don't Like Rock n' Roll”. Muitas destas sobras também foram incluídas quando do lançamento de Theme For a Dream” em CD, como faixas-bônus.

Como a discografia é curta, serão postados os três álbuns do Agnes Strange em ordem cronológica de lançamento da época. É rock de qualidade e som para ser devidamente apreciado.

Curtam!

AGNES STRANGE – THEME FOR A DREAM (1972)



FAIXAS:

01 - Theme For A Dream
02 - Messin' Around
03 - Graveyard
04 - Rockin'In 'E'
05 - Dust In The Sunlight
06 - The Day Dreamer
07 - Book With No Cover
08 - Failure (Demo)
09 - Motorway Rebel (Demo)
10 - Children Of The Absurd (Demo)
11 - Clever Fool (Demo)
12 - Strange Flavour (Demo)
13 - Odd Man Out (Demo)
14 - Highway Blues (Demo)

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AGNES STRANGE – DUST IN THE SUNLIGHT (1974)



FAIXAS:

01-Theme for a Dream
02-Messin' Around
03-Graveyard
04-Rock'In the E'
05-Dust in the Sunlight
06-The Day Dreamer
07-Book With No Cover
08-Motorway Rebel
09-Clever Fool

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AGNES STRANGE – STRANGE FLAVOUR (1975)



FAIXAS:

01 - Give Yourself A Change
02 - Clever Fool
03 - Motorway Rebel
04 - Travelling
05 - Strange Flavour
06 - Alberta
07 - Loved One
08 - Failure
09 - Children Of The Absurd
10 - Odd Man Out
11 - Highway Blues
12 - Granny Don't Like Rock 'N' Roll
13 - Inteference
14 - Give Yourself A Chance

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